:: Projetos Pedagógicos ::

Editora Responsável: Prof.ª Me. Anna Rita Ferreira de Araújo

Car@ leitor@,

Para o segundo número da Revista Art& pensamos em abordar uma questão que nos parece importante: A implantação e aceitação dos Cadernos de Arte (ensino fundamental) dos Parâmetros Curriculares Nacional (PCN).

Para alguns, essa questão pode parecer inadequada. Afinal, quase não se fala mais dessa proposta que foi idealizada e organizada durante o Governo do então Presidente Fernando Henrique Cardoso. A proposta visava possibilitar aos educadores brasileiros, como o próprio nome diz, parâmetros curriculares para a educação e que pudessem atender aos projetos pedagógicos das escolas. Criando, assim, uma relativa unidade nas ações educacionais em todo o território nacional. Lançados oficialmente um ano após a em vigor Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), o conjunto de cadernos que compunham os PCNs, foram enviados aos professores(as), diretores(as) e escolas de todo o território brasileiro. Um projeto político, ambicioso e dispendioso que, no entendimento de muitos analistas educacionais, “já nascera morto”. Mas o que levou a isso? Uma organização política imposta “de cima para baixo” e não construída no diálogo nacional? Talvez, mas essa é uma prática comum em nosso país. Em outros tempos, nossos Governantes já haviam “comprado” propostas estrangeiras para a nossa Educação. Mas podemos argumentar que eram outros tempos. Tempos onde não haviam escolhas entre aceitar e não aceitar. Implantava-se uma proposta e pronto.

Poderíamos pensar que a questão da “morte” estaria nos conteúdos dos PCNs, eruditos demais para a grande massa dos educadores brasileiros? Pode ser, mas quem vai veementemente negar a pertinência conceitual dos textos e a sintonia com os paradigmas educacionais mais atualizados? Os competentes e altamente gabaritados educadores que elaboraram os conteúdos não se furtariam a isso. E o aspecto multicultural de nosso país? Talvez tenhamos aí um consistente entrave para se imaginar que, no momento histórico e político em que o Brasil se acha, desde 1997 para cá, uma proposta orientadora para todo o território nacional, não tenha como encontrar acolhimento nos diversos contextos.

E se tentarmos imaginar os verdadeiros interesses políticos e econômicos que hipoteticamente estivessem por trás da proposta e que desembocariam fatalmente na realidade que estamos vivendo? Realidade que se configura em uma quantidade enorme de livros (referenciais para todos os níveis da educação e áreas de conhecimento, bem como temáticas) esquecidos em prateleiras empoeiradas. Imaginemos a quantidade de dinheiro público investido. Aliás, melhor não imaginarmos. Poderíamos perguntar por que, depois de tanto esforço e investimento, o próprio Governo Federal que organizou e realizou os PCNs, não investiu em sua divulgação, implementação e discussão? E por que o atual Governo também não fez questão disso? Justamente por serem tantas as questões que ficam, é que gostaríamos de perguntar para os(as) arte-educadores(as) como analisariam, partindo da suas experiências e referências locais ou regionais, a implantação da proposta dos Cadernos de Arte (ensino fundamental) dos Parâmetros Curriculares Nacionais, depois de sete anos de seu lançamento? A professora Dra. Maria Helena Wagner Rossi da Universidade de Caxias do Sul, atendendo ao pedido de nossa editoria, nos enviou a seguinte resposta:

Não houve implantação. Pelo menos na minha região, que é o sudeste do estado do Rio Grande do Sul. Os Cadernos nem são lembrados mais. As escolas tentaram legitimá-los, através de reuniões de estudo com seus professores, mas o efeito dos estudos, se houve, pouco durou. Quando mencionam as abordagens para ações em sala de aula, os professores se referem à Proposta Triangular e não aos PCNs.

As razões para terem permanecido nas prateleiras passam pelo elitismo e pelo egocentrismo. Com o objetivo de promover o acesso à arte, acesso este quase sempre possibilitado apenas no espaço escolar, os PCNs deslizam para o elitismo  e para o egocentrismo, principalmente o Caderno das Séries Iniciais.

Elitismo, porque supõem que a arte faz parte do cotidiano dos alunos, como o faz daqueles que a freqüentam. Esquecem que não é fácil ter acesso à arte neste país. Tratam da arte como se fosse algo banal para todos. O vocabulário é hermético e especializado demais, e desencoraja o professor menos familiarizado com a arte.

Egocentrismo, porque não conseguem se colocar na perspectiva dos alunos. Pressupõem que eles vêem o que os especialistas vêem na arte ou numa imagem. Egocentricamente, exigem dos alunos aquilo que só podem ver aqueles que transitam pela arte. Não escutam o aluno. Não sabem qual é o seu ponto de vista. Não sabem qual é a sua compreensão, nem seu ponto de partida. Negligenciam o seu processo no desenvolvimento estético e impõem uma visão de leitura, quase sempre de base formalista, portanto anacrônica.”

Já a professora Dra. Rosa Iavelberg da Universidade de São Paulo, uma das autoras dos PCNs na área de Artes Visuais e grande colaboradora e incentivadora de nossa revista, nos trouxe a seguinte indagação:

“Dada 

a não continuidade do  projeto PCNs pelo MEC atual, a discussão 

sobre eles como experiência de apliacação  nacional nas 

escolas brasileiras e sobretudo, sob uma ótica de experiência pessoal  

parece ser irrealizável. A não ser que os especialistas fizeram, 

neste período,  pesquisa fundamentada, de abrangência nacional. 

Você (editora de projetos pedagógicos)  não acha que 

a pergunta, por tudo isto, está um pouco condutista?”
Eu (editora de projetos pedagógicos da Revista Art&), não vejo como condutista, vejo, sim, como necessária de ser levantada. E o que vocês, leitores e leitoras de nossa revista acham?

Gostaríamos muitíssimo de receber a opinião de vocês sobre a pergunta proposta e os comentários das professoras Maria Helena e Rosa. Segue a pergunta, com algumas reformulações realizadas partindo de colocações enviadas para nossa editoria pela profa. Rosa Iavelberg, para que você, leitor(a) de nossa Revista Art&, também possa participar da discussão:

_Caro(a) arte-educador(a) como analisaria, partindo da sua experiência e referência local ou regional, a implantação da proposta dos Cadernos de Arte (ensino fundamental) dos Parâmetros Curriculares Nacionais, depois de sete anos de seu lançamento?

Sua participação é muito importante para nós, pois só assim poderemos ter um olhar mais aproximado e correto das diversas realidades que envolvem a maneira como os Cadernos de Arte do Ensino Fundamental (1ª - 4ª e 5ª - 8ª) dos PCNs foram recebidos e acolhidos nas escolas e pelos arte-educadores e arte-educadoras de nosso país.

Contamos com sua colaboração que será publicada no próximo número da Art& e também contamos com sua participação em nossa enquete do número.

Abraços cordiais,

Anna Rita F. de Araújo
Editora de Projetos Pedagógicos.

 

Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano II - Número 02 - Outubro de 2004 - Webmaster - Todos os Direitos Reservados