:: Ensino a Distancia – Licenciatura em Artes Visuais da UFG ::
Profª. Dra. Leda Maria de Barros Guimarães

Em 2005 a Universidade Federal de Goiás, entrou num consórcio liderado pela UnB, para oferecer cursos de licenciatura em artes a distância, concorrendo para o Pró-Licenciatura, seleção pública de propostas para o programa de formação inicial para professores em exercício no ensino fundamental e no ensino médio. Várias unidades apresentaram seus projetos para esta modalidade de licenciatura: administração, matemática, física, artes visuais e teatro.  O projeto foi aprovado e encontra em vias de ser implementado. Cada Instituição Pública de Ensino Superior – IPES - que faz parte do consórcio, será responsável por um número de pólos (municípios) os quais receberão equipamentos necessários para que o projeto. Nesta primeira  edição, a Universidade Federal de Goiás contará com seis  Unidades Operacionais Goiânia, Catalão, Jataí, Firminópolis, Rialma, Cidade de Goiás (campus). A escolha deve-se a já existência de instalações da UFG  nesses municípios.

Para a oferta destes cursos, foi feito um levantamento das demandas de cada área em todo o estado de Goiás. A demanda por professores de artes é significativa. No Estado de Goiás, temos cerca de 1200 professores ministrando aulas de artes dos quais apenas 180 possuem a formação específica para tal. Esses dados foram fornecidos pela  Superintendência do Ensino Fundamental. É impossível uma redução drástica deste número através somente do ensino presencial. O atual curso de Licenciatura em Artes Visuais da UFG, forma anualmente cerca de 25 profissionais. Por outro lado, é preciso ressaltar, que a experiência  destes profissionais já em sala de aula, mesmo sem a formação específica, deve ser levada em conta e re-significada. Como está no corpo do projeto “a proposta do curso foi elaborada para que cada professor matriculado possa, não somente ser reprodutor de informação, mas principalmente ter capacidade para fazer pesquisa e constituir grupos de trabalho que produzam conhecimentos em arte”.

A proposta do pró-Licenciatura é anti-polivalente. Os cursos serão específicos nas linguagens de artes visuais, teatro e música (opção a ser oferecida pela UnB e outras universidades associadas). No entanto, a interdisciplinaridade será o eixo do processo de formação, tanto no oferta de laboratórios de pesquisa de linguagens interdisciplinar quanto na metodologia de projetos adotada como prática de ensino. O projeto tem ainda uma preocupação em ressaltar aspectos e potencialidades da cultura local em conexão com contextos mais amplos.

As críticas e resistências a esta modalidade de ensino são várias, dentre elas destaco a questão de que o fascínio pela tecnologia pode levar a um ensino acrítico, como já vimos acontecer na década de 70 em nosso país com o tecnicismo.

Ser ou não ser? Eis a questão, velho mote clássico “shaskepeareano” poderia ser refeito com outro verbo: estar ou não estar (presente), eis a questão. Utilizo essa indagação para ordenar meus pensamentos no momento em que estamos prestes a adentrar numa aventura de um curso de graduação a distancia, mares nunca dantes (por mim) navegados. Mas, navegar não é preciso? (Pessoa apud Caetano)?! Por isso mesmo, recorro as minhas inquietações e tentativas de ensinar presencialmente, buscando posturas diferenciadas para novos tempos. O trabalho por projetos, a construção de parcerias, a relação dialógica, que não implica necessariamente em consenso, a descentralização dos saberes e do papel do(a) professor(a), etc. Por outro lado, há o pouco entrosamento, e portanto, a legibilidade e entendimento das novas operações pedagógicas num espaço desmaterializado.

Mas, assim como acredito nas parcerias, acredito na possibilidade de aprendizagem contínua, em processo, e que as inquietações que nos movem para um exercício de um ensino crítico no presencial, também serão fundamentais no ensino a distância. Por outro lado, espera-se que a estrutura a ser montada para o ensino a distância, impacte o ensino presencial. Desde a produção de materiais didáticos, organização de conteúdos, produção de vídeos, etc, a participação de alunos de graduação e pós-graduação como monitores e tutores.

 

Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano IV - Número 06 - Outubro de 2006 - Webmaster - Todos os Direitos Reservados

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