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:: Coordenação de Divulgação e Relações Acadêmicas :: Coordenação
da Profª. Drdª. Núria
Pons Vilardell Camas [1] No último editorial trazia ao leitor a idéia da contemplação e da "completação", que retomo hoje, pensando em revistas científicas eletrônicas e suas publicações. Nunca se escreveu e se divulgou tanto a ciência quanto hoje. Segundo Stevens Rehen (2007, s.p.), "Dois milhões e quinhentos mil artigos científicos são publicados anualmente em 34 mil revistas científicas internacionais. Esse número, apesar de expressivo, não representa nem a metade do conhecimento científico gerado nas universidades e centros de pesquisa ao redor do mundo". Mais assombroso que o número de artigos científicos publicados anualmente, é que neste exato momento em que escrevo, outros cientistas estão fazendo a mesma coisa que eu e representaremos, ironicamente, apenas um número a mais na existência acadêmica, sem nos lermos, sem nos citarmos, sem dialogarmos sobre nossas experiências. O Imperativo Publish or perish deveria acrescer-se de lê, interpreta, reflita, dialogue com o leitor. Podemos deixar nossos leitores somente contemplando nossa Arte da Pesquisa, sem entenderem, na maior parte das vezes o que fizemos, o que pretendemos com nossas perguntas, hipóteses, análises e conclusões? Ontem à noite, sem sono e sem concentração, retomei a leitura cênico-poética de Joan Brossa, poeta catalão, pupilo de João Cabral de Melo Neto, por volta dos idos anos de 50 do século passado. O poeta Brossa passou trinta anos no anonimato, sem ser conhecido pela crítica e, por conseguinte, por muitos leitores, mas provavelmente era lido, vivido, amado, odiado, já que foi um dos poetas que mais publicou livros de poesia e teatro, oitenta e seis obras de teatro repartidas em seis volumes e sessenta livros de poesia em menos de quinze anos em seu país. A engenhosa produção de Brossa e sua particular diversidade (desde sonetos tradicionais com imagens surrealistas, até mesmo poemas visuais ou objetos, passando por poemas cotidianos, sextinas e odes de cunho político), tornam-o um dos poetas catalães mais importantes do pós-guerra. Sua poesia tinha como proposta a investigação e a experimentação. Há o continuo início de novos caminhos até esgotá-los temporariamente, sem que isso signifique posteriormente uma retomada de um antigo caminho, porém com uma nova intenção. Este fazer lúdico não abandona o leitor e sua preocupação com a essência na busca da identidade das coisas e do homem em si. Esta forma de ir e vir na procura incansável de formas, que acaba por investigar, não é mais que a inquietude de desejar pousar nas asas secretas da linguagem. Talvez a real intenção que Brossa tenha entre este investigar e experimentar, seja a de acordar o leitor com as palavras da vida que pode e deve ser revelada pela contemporaneidade. Talvez o que nós pesquisadores de Educação tenhamos ainda como tarefa a cumprir seja o revelar em nós a contemporaneidade e dar-nos a vida. Mas para isso será necessário entendermos a história e aqui deixo o convite ao leitor do próximo editorial, em que iniciaremos o caminho do conhecer a história das publicações científicas para assim podermos juntos vislumbrar quais caminhos deveremos seguir para que a ciência, assim como a poesia e todas as artes de pesquisa não tenham fronteiras. Referências: REHENS, S. Blog pode ser futuro da publicação científica. Jornal da Ciência. e-mail 3247, de 19 de Abril de 2007. Fonte eletrônica: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=46271 Núria
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Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano V - Número 07 - Abril de 2007 - Webmaster - Todos os Direitos Reservados