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:: Eventos Comentados :: Editora Responsável: Prof.ª Me. Itamar Alves Leal dos Santos. Evento comentado – abril/2007 No último semestre, refleti sobre qual evento deveria comentar aqui na nossa 7ª edição da Revista Digital Art&. Em princípio pensei em falar sobre a maravilha que foi ir à Bienal de São Paulo, (alguns sites: http://bienalsaopaulo.globo.com/artes/index.asp e http://diversao.uol.com.br/27bienal/) onde tive possibilidade de observar o nosso avanço ao pensar na inclusão dos portadores de necessidades especiais. Encontrei vários grupos de cadeirantes que tiveram um atendimento especial para se locomoverem dentro das dependências do prédio da Bienal. Alguns funcionários as ajudaram a subir e descer as rampas. Dentro do prédio, fora as rampas, os outros locais os cadeirantes conseguem trafegar normalmente. Quando percorri o primeiro andar encontrei um grupo de adolescentes com visão reduzida e outro usando linguagem de sinais. Eles acompanhavam o monitor que apresentava algumas obras. Fiquei imaginando como será importante o momento em que todos os ambientes estiverem preparados para atender todo e qualquer público, não importando se este tem ou não alguma limitação. Afinal de contas, todos têm limites que devem ser respeitados.
Pensei também em falar sobre o Museu da Língua Portuguesa. Que maravilha! Interativo! Pronto para atender grande número de pessoas. Com elevadores que funcionam (é verdade, em muitos locais encontramos elevadores, mais estes ficam em eterna manutenção). Se pensarmos apenas na Arquitetura e na história do prédio onde este museu está instalado, já teremos material suficiente para nos deliciarmos. Ele foi instalado na Estação da Luz, e o curioso é que a estação continua em perfeito funcionamento. A população transita pela parte inferior do museu e a bilheteria da estação é no andar térreo do prédio. Antes de você visitar o Museu da Língua Portuguesa, observe o prédio e também a estrutura da estação de trem. Pode ser uma ótima pesquisa sobre história: do Brasil, de São Paulo, dos transportes, da imigração, do café, etc.. Visite o site do museu onde poderá ter informações e organizar previamente o que pretende ver e quanto tempo irá permanecer no local. Também pensei em falar sobre o Museu de Arte Sacra de São Paulo, onde podemos fazer uma viagem pela história do Brasil, da colonização, na arte Barroca e Rococó, da arte dos séculos XVI, XVII e XVIIII, etc. Como este ano, com a visita do Papa teremos o primeiro santo brasileiro (Frei Galvão). Ele viveu no prédio que hoje é o Museu de Arte Sacra que é onde você encontrará seu quarto, além de ter acesso a história de sua vida. No mesmo local existe o Museu do Presépio. Simplesmente fantástico. São 130 presépios de diferentes partes do mundo e o Presépio Napolitano, que reproduz uma aldeia italiana além da cena da Natividade. São detalhes minuciosos que podemos usar para refletir sobre as mudanças de hábitos e costumes. O prédio central onde está o Museu de Arte Sacra é amplo, existe a possibilidade de locomoção de cadeirantes, mas a construção onde fica o Museu do Presépio não está preparada para atender cadeirantes, pois tem escadas com curvas que dificultam o acesso. Como toda a exposição é feita no subsolo, nas celas que eram os quartos dos religiosos. O espaço é bem reduzido para a circulação. A iluminação também não favorece aos portadores de visão reduzida, além do tamanho reduzido das peças e da riqueza de detalhes.
É quase um sonho pensar que podemos levar um grupo de 40 alunos para assistirem e participarem de um ensaio geral do corpo de baile do Balé da Cidade de São Paulo. Afinal conseguir uma visita monitorada, com duração de 90 minutos, onde os alunos podem interagir com os bailarinos e saber um pouco sobre a história da música e suas influências no cotidiano. Os alunos ficaram apaixonados com o que viram, e perderam o preconceito sobre os homens que são bailarinos. Durante a preleção, os bailarinos abrem um espaço para os alunos fazerem perguntas, sobre tudo e qualquer assunto que tenham dúvida e que pode estar presente naquele momento. Claro que alguns alunos perguntaram se é verdade que os bailarinos são homossexuais. Foi aberto o debate e um dos bailarinos respondeu que como em qualquer lugar e em todas as profissões, existem homossexuais, mas isto não é uma regra, e nem uma exigência da profissão. Dava para notar a satisfação dos alunos por poderem fazer suas perguntas abertamente sobre o tema, sem censura ou crítica por parte dos entrevistados. Os alunos foram convidados a participarem de um aquecimento no final da atividade, e apenas umas duas alunas se recusaram. Até nós professoras participamos do aquecimento.
Quanto à acessibilidade, o prédio não é preparado para atender cadeirantes, pois existe uma escada e teria que ter alguém para transportar este visitante. Tirando esta restrição da escadaria, o restante do ambiente pode perfeitamente fazer parte de atividades para inclusão. Finalmente resolvi falar sobre o MASP – Museu de Artes de São Paulo, mas não o MASP da Av. Paulista, mas o espaço que o MASP está utilizando dentro do Morumbi Shopping (Espaço Arte – Morumbi Shopping), que no último semestre expôs obras do Portinari: Série Retirantes (1944-1945) e Série Bíblica (1942-1943). O público tinha acesso a três obras dos Retirantes e oito obras Bíblicas. A minha escolha por falar sobre este espaço é a importância de levar as obras onde o povo está. Me fez lembrar o ditado: “se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé”. Dentro de um shopping center, qualquer visitante do shopping tinha acesso à obras originais e não reproduções. Na entrada da exposição, recebia um prospecto com a reprodução de todas as obras e um resumo da vida do artista. A monitoria ficava no local, para atender a todo público que tivesse interesse em receber este apoio sem nenhum gasto. O setor educativo fazia a monitoria e uma oficina com jogos para o participante manusearem, entre eles um quebra-cabeças magnético – gigante. Também existia uma sala com livros sobre as obras para consulta e acesso ao ambiente virtual. O espaço era amplo, facilitava a circulação de cadeirantes e até mesmo quem tivesse redução da visão poderia circular facilmente sem problemas de locomoção. Faltou divulgação dentro do shopping sobre a exposição, mesmo assim havia um grande número de visitantes. Escolhi a experiência da parceria do Morumbi Shopping e do MASP, como um ótimo exemplo que outros espaços, como shopping, lojas, hipermercados, etc. poderiam oferecer ao público em geral. Claro que estes teriam que garantir a infra-estrutura para a segurança das obras. Mas seria uma ótima oportunidade de oferecer o acesso a muitos que dificilmente conseguem tempo, dinheiro ou transporte para ir até um museu. É uma ótima oportunidade para pensarmos em como estimular este tipo de ação em diferentes locais. Vamos lá… Abraços |
Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano V - Número 07 - Abril de 2007 - Webmaster - Todos os Direitos Reservados