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:: Fala Professor! :: Editor Responsável: Prof. Pio Santana. Caros Leitores(as) A coluna FALA PROFESSOR deste mês traz uma novidade: Divulga o trabalho de um importante grupo de educadores-pesquisadores, da educação não formal de São Paulo, voltado para a elaboração e produção de materiais e serviços em arte e arte/educação. Trata-se da equipe do Arteducação Produções. Essa novidade vem atender a dificuldade de encontrar professores com sólidos trabalhos registrados em sala de aula. Venho constatando que muitos professores desenvolvem seus trabalhos, porém não tem o hábito do registro. O Arteducação Produções vem desenvolvendo um belo trabalho que vale a pena conferir. Bom deleite, Pio Santana. 1. Nome do professor e local de trabalho. Meu nome é Guilherme Nakashato e faço parte da equipe do Arteducação Produções, um grupo de educadores-pesquisadores voltado para a elaboração e produção de materiais e serviços em arte e arte/educação. Como relatarei uma experiência que foi construída pelo grupo, responderei as questões apresentando o AEP. Prestamos serviços para vários lugares como escolas, ONGs, SESC-SP, a 25ª Bienal de São Paulo e atualmente somos os responsáveis pelo Projeto Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo (CCBB-SP). 2. Formação do professor. A equipe do Arteducação Produções surgiu em 2001, coordenada por Ana Amália Barbosa, com o intuito de formar um grupo de arte-educadores/pesquisadores que criassem a primeira proposta educativa para o CCBB-SP. Com o tempo, a equipe ampliou suas atuações em vários outros lugares e atualmente conta com 19 pesquisadores com experiências diversificadas e que investem na carreira acadêmica. 3. Quais as principais influências e/ou teóricos que norteiam seus trabalhos? Dentre os estudos sobre educação, arte-educação e arte, podemos destacar vários mestres, mas alguns são mais constantes: Paulo Freire (pedagogia do diálogo), John Dewey (experiência estética) e Ana Mae Barbosa (arte/educação pós-moderna, proposta triangular, conceitos de interculturalidade). 4. Experiência profissional geral (até 5 ou 6 linhas). Desde 2001 construímos vários projetos envolvendo preparação de educadores para exposições, encontros com professores, assessoria de propostas educativas e produção de materiais educativos. Podemos destacar as propostas do Programa Educativo do CCBB-SP (2007), o projeto “Diálogos e Reflexões com Educadores” desde 2003 no CCBB-SP e a proposta educativa da Bienal Naïfs do Brasil no SESC Piracicaba em 2006. 5. Dados da experiência relatada: a. Onde aconteceu? (escola, cidade, etc.) Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo. b. Com que série/cursos/público a proposta foi desenvolvida? A proposta é desenvolvida com todo visitante interessado. Nosso maior público são os estudantes da rede pública de ensino que agendam suas visitas do CCBB. c. Quais os objetivos originais da(s) proposta(s) apresentada(s)? Para cada exposição do CCBB propomos uma estratégia de mediação específica para construir junto com os visitantes, reflexões sobre as obras expostas. Esta estratégia envolve leitura e contextualização das obras e a participação em uma proposta prática-reflexiva (evitamos chamá-la de “oficina” pelas limitações do termo). Neste caso, relatarei o projeto da ação educativa para a exposição “Impressões Originais: A Gravura desde o Século XIV”, que esteve em cartaz no CCBB-SP de outubro de 2006 a janeiro de 2007. A mostra era constituída de gravuras ocidentais estrangeiras e brasileiras das mais diversas técnicas, desde suas origens no século XIV até os dias atuais. A proposta educativa consistia em aproximar os visitantes dos múltiplos contextos envolvidos e das técnicas desenvolvidas através da leitura das obras. Para ampliar estas reflexões, criamos uma proposta de “cola-gravura” a partir de materiais alternativos, propiciando a experiência da sintaxe da gravura e de seus procedimentos. d. Quais os resultados esperados? Proporcionar aos visitantes o contato com as obras da exposição, estimular a leitura das mesmas, aproximar os diversos contextos dos trabalhos com os contextos dos visitantes, além de propor a relação entre os conhecimentos através da experiência prático-reflexiva. Esta proposta consistia em criar uma matriz de impressão a partir de uma base de plástico rígido impregnado de “cola de serigrafia” (não-permanente, parecido com a do “durex”) onde eram fixados tecidos e cordões tingidos com anilina colorida, ou seja, uma composição era criada com estes materiais a partir da experiência dos contatos com as obras expostas. Esta matriz era então umedecida e impressa sobre papel canson em um prelo vertical (prensa de livro). As composições eram analisadas pelas suas características, processos e a conexão com a exposição. e. Quais os resultados obtidos? As respostas foram as mais diversas possíveis. Dificilmente encontramos resistências quanto à proposta. No geral, avaliamos como bem sucedida, pois vários relatos apontam para o entendimento da sintaxe da gravura (textura, espelhamento de imagem para algumas técnicas, reprodutibilidade, diferenciação do desenho simples, entre outros) com a experiência completa da visita. Realizamos um desdobramento com deficientes visuais em que a proposta envolvia a sensação tátil da composição criada, aproximando-os da concepção de gravura. 6. Quais as principais dificuldades encontradas? Durante a concepção das propostas o grupo debate e testa algumas possibilidades, a fim de verificar o potencial dos materiais e suas variações. Nem sempre conseguimos os resultados esperados, pois a técnica selecionada, como qualquer técnica de gravura, é passível de impressões com falhas ou inesperadas. Assim, torna-se necessário a flexibilidade no trato com as produções dos visitantes, buscando analisar as peculiaridades do processo. Mesmo com a exposição em andamento continuamos a pensar neste processo, re-configurando a proposta se necessário. Outra questão que defrontamos é a adequação das propostas à todos os públicos. Fazemos a proposta para público infantil, para jovens e adultos, para professores e para público com deficiência. Esta diversidade é um desafio freqüente em nosso trabalho, sendo necessário a experiência de consultores nestas áreas. 7. Qual a motivação para continuar “em frente” mesmo com as dificuldades? Além da convicção pessoal de cada membro do grupo, o apoio mútuo e coletivo constrói a consistência do nosso trabalho. Os posicionamentos críticos do grupo fazem com que cada detalhe seja bem costurado no todo, reforçando os laços interpessoais e de nossos pressupostos educativos. 8. Por quê faz isso? Acreditamos que a arte é conhecimento da humanidade e deve ser parte da formação de qualquer pessoa. O contato com a arte promove o entendimento da realidade que nos cerca e possibilita a reflexão dos diversos contextos que convivem e se integram mutuamente. Amplia-se portanto o entendimento das culturas no mundo e das ações humanas nesta trama. 9. Quais os planos futuros? O trabalho não pára. Assim que terminamos uma proposta já começamos a pensar na próxima exposição ao mesmo tempo em que avaliamos nossos procedimentos continuamente. Um de nossos desejos é a aproximação cada vez maior do professor atuante na sala de aula. Projetamos nossas ações conscientes que interferiremos nas atividades dos professores nas escolas, assim pretendemos estreitar nossas relações cada vez mais, para que nossos projetos não se tornem inconsistentes. Estas considerações são focos do projeto “Diálogos e Reflexões com Educadores”. 10. “A palavra é sua” (Até 10 linhas com uma mensagem final). Esta coluna tem por foco a ação dos professores em suas salas de aula, mas entendemos que a educação e a arte/educação estão cada vez mais desenvolvendo um sólido trabalho de construção do conhecimento para visitantes, alunos e professores das mais diversas características em espaços não-escolares. Desta maneira, gostaria de agradecer em nome da equipe do Arteducação Produções a oportunidade de compartilhar nossas experiências, pois a educação tem seu potencial multiplicado na disponibilidade mútua dos interlocutores em trocar e aprender uns com os outros, “mediatizados pelo mundo” (Paulo Freire). Pio
Santana |
Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano V - Número 07 - Abril de 2007 - Webmaster - Todos os Direitos Reservados