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Comentado ::
Neste primeiro editorial da nova editoria da Art&, chamada “Teatro Comentado”, gostaríamos de dizer quem somos e a que viemos: somos professores pesquisadores (inquietos, diga-se de passagem), a fim de trocar idéias e experiências. Neste espaço, que existirá a cada número da Revista, abordaremos o tema TEATRO em diversos desdobramentos: comentando espetáculos teatrais; sugerindo oficinas e projetos que envolvam o teatro no ambiente escolar e fora dele; apontando e comentando bibliografia especializada; abordando aspectos importantes da dramaturgia, do teatro-educação e do teatro enquanto linguagem artística. Esperamos que nossos comentários sirvam de motivação para estabelecermos, entre os leitores da Revista Art& interessados nos temas e nas abordagens, uma profícua discussão, pois a provocação faz parte do trabalho do professor, do pesquisador e, principalmente, do artista. Como ponto de partida para algumas reflexões, neste primeiro editorial, escolhemos o tema TEATRO NA EDUCAÇÃO. A magia do Teatro na educação, começa bem cedo, com o jogo. O jogo dramático infantil possibilita à criança experimentar. Ela se coloca dentro da problemática proposta pelo grupo ou indicada pelo educador e, de forma lúdica, vivencia e busca soluções para os conflitos no desenrolar da atividade. Dentro da atividade há alegria, entusiasmo e espontaneidade. Há também regras e atenção. Desta forma, o desenvolvimento global do indivíduo caminha pari passu com o processo de aprendizagem sobre a linguagem cênica. Segundo Ingrid Koudela*, o jogo teatral é um jogo de construção que desenvolve a criatividade, caminha para uma educação estética e para a prática artística. Assim, o Teatro na educação é parte imprescindível da evolução da criança/adolescente/adulto como educando e como pessoa. O trabalho com o teatro na escola aprimora o senso de coletivo, a socialização, o equilíbrio, a concentração, a auto-expressão, a auto-aceitação, a identificação e o respeito pela alteridade. Forma platéias, desperta o gosto pela leitura e aguça a criatividade. Numa aula de teatro podemos trabalhar com cores, com música, com expressão vocal, com exploração do ambiente da sala, da escola, da comunidade. Podemos recriar histórias nossas, da nossa família, do nosso bairro, país, mundo... e também inventar novas histórias, da nossa imaginação. Além disto, é possível trabalhar com o teatro em outras disciplinas, sem jamais esquecer que ele em si mesmo é uma linguagem riquíssima e cheia de possibilidades, e que a aquisição de conhecimento por meio do teatro é conseqüência do prazer de trabalhar com a cena, de improvisar, de ensaiar e confeccionar cenários, figurinos, brincar com a maquiagem e tantas outras ações. Não podemos deixar de lembrar quão importante é ir ao espetáculo teatral fora da escola, seja ele na rua, ou num teatro convencional. Isto aprimora os conhecimentos teatrais da criança/adolescente/adulto, com o exercício de fruir o espetáculo e todos seus componentes, para depois comentá-lo, apreendendo novos conteúdos, destrinchando conhecimentos anteriores e sempre crescendo. Para enriquecer ainda mais a ‘praxis’ dos teatro-educadores ou aguçar a vontade dos espectadores que nos lêem, passamos, agora, a comentar alguns espetáculos em cartaz pelo Brasil. ESPETÁCULOS COMENTADOS A ARTICULAÇÃO DO TEATRO DE RUA NO ESPETÁCULO “OS SALTIMBANCOS DA TERRA DE AGAHSCAR”, DO TEATRO ESCOLA PELOTAS Diversas cidades gaúchas receberam no mês de março o espetáculo “Os Saltimbancos na Terra de Agahscar”, do Teatro Escola Pelotas - mais antiga companhia de teatro em atividade no país. Neste espaço apresentamos algumas considerações sobre o espetáculo, especialmente sobre o teatro de rua, linguagem articulada pelo grupo na referida montagem. O teatro
de rua não convoca uma platéia, mas sim vai ao seu encontro nas ruas,
praças, avenidas, esquinas... Esse aspecto merece ser destacado, pois
o grupo inicia um cortejo muito interessante há uns Outro elemento do teatro de rua, que se configura como um acerto na montagem é a seleção dos enredos e temas das histórias representadas. São contos leves, divertidos, procedentes de diversos países. As três histórias representadas têm sabor de histórias populares, de sabedoria popular. Os temas são tratados de maneira direta e simples, muitas vezes com certa rudeza e focalizam a relação entre maridos e mulheres, disputa de poder, de mulheres e pretendentes, ou seja, de fácil identificação, nada de erudição ou intelectualização. Quanto à utilização da linguagem do teatro de rua, o espetáculo trabalha com a estilização necessária (na construção dos figurinos, adereços, maquiagem e na construção farsesca dos personagens) para dar ao público o distanciamento estético. O tom rápido e dinâmico, assim como o exagero nas interpretações, aspectos determinantes da farsa, somam-se positivamente à linguagem do teatro de rua. “Os Saltimbancos na Terra de Agahscar”, pelo conjunto de elementos que comentamos, desperta interesse imediato do público circundante e comentários positivos dos críticos, tal qual acontece com os bons espetáculos de rua. A montagem cumpre o mais importante de qualquer montagem: o seu significado, forjado pelo tema e pela linguagem, permanece com o público, e será rememorado e comentado muito tempo após a apresentação, mostrando que a arte teatral não é tão efêmera quanto insistimos em afirmar que ela é. Alguns dos apontamentos sobre teatro de rua utilizados no texto foram retirados da seguinte referência bibliográfica: STEWARD, D. Teatro de rua. Cadernos de Teatro (125). Rio de Janeiro: INACEN, 1991.
Ficha técnica OS SALTIMBANCOS DA TERRA DE AGAHSCAR Teatro de rua Espetáculo do Teatro Escola Pelotas (Pelotas/RS) Direção: Barthira Franco Elenco: Alana Sacramento Anna Lia Sant´Anna Carina Neves Cauã Kubaski Cibele Fernandes Fábio Marques João Monteiro Renata Job Renata Padilha Rodrigo Medeiros Fabrício Ghomes e Barthira Franco
FACES DA TERRA E OS EXCLUÍDOS DO MUNDO, pelo Circo Íntimo, em Brasília. O espetáculo “Faces da Terra” consegue uma hora de várias proezas: ser um espetáculo fabuloso que não tem cenário, não tem trocas inúmeras de figurino, nem iluminação. O diretor Abaeté Queiroz fez aflorar todo o talento ( é é muito!) dos trinta jovens atores que cantam, dançam e, com muita emoção nos fazem sentir a mulher excluída na grande cidade, o negro, o índio e o retirante nordestino. Mas, também nos mostra a outra face da terra: nos traz Virgulino Ferreira, Zumbi dos Palmares e Luiz Gonzaga, grandes nomes que brotaram do povo simples, nosso grande povo brasileiro. Esta é a terceira montagem do espetáculo e, desta vez, aconteceu no Espaço Cultural da 508 Sul, na Sala Multiuso, que é quase um Teatro de Arena, com suas arquibancadas que tomam apenas um lado da sala e abaixo temos o chão, onde os atores representaram. Excelente oportunidade para os alunos e admiradores de teatro poderem ver formas de se passar das cenas teatrais às músicas e coreografias, e de como se pode utilizar criativamente um espaço cênico não-convencional preenchendo todos os níveis: baixo, alto e médio e sem tirar os atores do palco, pois lá eles permanecem durante todo espetáculo. A idéia
da montagem surgiu no grupo “Circo Íntimo” quando de uma viagem ao Nordeste,
em FICHA TÉCNICA: Espetáculo: Faces da Terra Duração: 1 hora Local: Sala Multiuso do Espaço Renato Russo, na 508 Sul Atores: 30 alunos da Oficina de Teatro Circo Íntimo Direção: Abaeté Queiroz Coreografias: Juliana Drummond Fabiano Tadeu Grazioli e Gisele Martini, editores de Teatro Comentado
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