:: Teatro Comentado ::

           

Caros leitores;

Neste editorial homenageamos Olga Reverbel. O texto é uma reflexão rascunhada por nós nos dias posteriores ao seu passamento, que ocorreu no dia primeiro de dezembro do ano passado.

                   

  

Olga Reverbel, teatro e escola

Não falemos mais sobre a morte de Olga Reverbel, falemos sobre sua trajetória no ensino do teatro e seu empenho e insistência em formar professores capazes de utilizar satisfatoriamente essa arte no contexto escolar

Não conhecemos Olga Reverbel pessoalmente, mas desde muito cedo conhecemos sua obra teórica e literária. Sim! Literária! Olga também escreveu e publicou textos teatrais infantis e infanto-juvenis, os quais escrevia inicialmente para os alunos de sua oficina interpretarem. Sua obra teórica se tornou, desde a década de oitenta, referência nacional nos estudos do teatro-educação. São uma dezena de livros, alguns com sugestões de jogos dramáticos e teatrais, outros com atividades globais de expressão, outros vinculados às pesquisas que desenvolveu no Colégio de Aplicação da UFRGS, e outros sobre história do teatro e da dramaturgia. A maioria deles com informações teóricas sérias e atualizadas, e todos apontando para um caminho: a criação de um espaço para o teatro no contexto escolar[1].

Olga Reverbel aborda o teatro principalmente do ponto de vista pedagógico, ou seja, o teatro enquanto metodologia para o ensino e aprendizagem. Insistia que o teatro deveria acompanhar o aluno desde muito cedo. Na Revista Aplauso, número 22, publicada em setembro de 2000, Olga declara com humor em entrevista, que em uma sala de aula onde a professora lança mão das atividades teatrais para o ensino dos conteúdos de sua disciplina, se os alunos não aprenderem tais conteúdos, pelo menos serão bons críticos e espectadores quando crescerem.

Embora apostando no teatro como recurso pedagógico (questão que tem gerado muita discussão nos estudos sobre a arte educação), Olga nunca deixou de se preocupar com o teatro enquanto linguagem artística. Nos seus escritos salientava a necessidade de se pensar o espetáculo teatral como um conjunto de elementos (cenário, figurino, sonoplastia, iluminação, entre outros) que devem ser somados ao trabalho do ator e do diretor para existir plenamente. Admitia e ensinava o teatro pedagógico, mas não abria mão dos aspectos estéticos e lúdicos, que são intrínsecos dessa arte, pois sabia que na atividade teatral o educativo e o artístico podem coexistir e colaborar para o desenvolvimento global do aluno, de seu senso crítico e estético. Atualmente essa idéia nos parece tão essencial (há inclusive uma série de estudos que partem de tal pressuposto[2]), mas lá pelos idos dos anos 80 quem levantou essa bandeira foi Olga Reverbel.

Sempre tivemos impressão que Olga Reverbel incomodava. Antônio Hohlfeldt, na coluna que assina no Jornal do Comércio confirmou nossa impressão ao escrever sobre a professora de teatro na semana de sua morte: “Olga Reverbel tinha idéias fixas, lutava por seus princípios, incomodava”. Pessoas com um ideal tão claro incomodam por que propõem mudanças e doam sua vida para tanto. Na verdade o ideal de Olga Reverbel deve ser o ideal de todos nós, ou pelo menos de todos os que acreditam que o ser humano cresce e melhora (nos diversos aspectos de sua complexa natureza) quando vê o mundo pelo prisma do teatro.

[1] Aliás, Um caminho do Teatro na Escola é o título de uma das obras teóricas da autora. Segue a bibliografia completa: REVERBEL, Olga. Um Caminho do Teatro na Escola. São Paulo: Scipione, 1997.

[2] Cabe citar, sobre esse tema, a dissertação de mestrado de André Brilhante, intitulada O conhecimento em jogo no teatro para crianças, defendida em 2004, na UNIRIO. Tal trabalho pode ser acessado neste endereço: http://www.cbtij.org.br/arquivo_aberto/pesquisa.htm

Editores Responsáveis: Profª. Me. Fabiano Tadeu Grazioli e Profª. Esp. Gisele Martini


ISSN 1806-2962

 

Revista Digital Art& - ISSN 1806-2962 - Ano VII - Número 11 - Outubro de 2009 - Webmaster - Todos os Direitos Reservados